coragem

A Menina que Sentou ao Lado do Garoto Sozinho

Enquanto a turma inteira ria, uma garota teve a coragem mais rara: a de se importar.

Por Relatos Humanos
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A Menina que Sentou ao Lado do Garoto Sozinho

Mateus era o garoto que ninguem queria por perto. Usava roupas remendadas, falava pouco, e na hora do recreio comia sozinho, num canto da quadra, de cabeca baixa. As outras criancas riam dele, imitavam seu jeito, inventavam apelidos. Ninguem sentava na mesma mesa que ele. Ninguem.

Ate o dia em que Aninha chegou nova na escola. Ela viu o menino sozinho no refeitorio, o prato intocado, enquanto a turma toda ria de longe. Aninha tinha duas opcoes: rir junto, para ser aceita, ou fazer o que sentia. Ela respirou fundo, atravessou o refeitorio e sentou-se ao lado de Mateus.

— Posso comer aqui? — perguntou. Ele a olhou desconfiado, esperando uma zombaria. Mas a menina apenas sorriu e comecou a contar de um desenho que gostava. O salao inteiro silenciou, surpreso. Alguns esperavam que ela percebesse o "erro" e saisse. Ela nao saiu.

No dia seguinte, Aninha sentou de novo. E no outro. Descobriu que Mateus era engracado, que sabia desenhar dinossauros incriveis, que era timido so porque ninguem nunca tinha lhe dado uma chance. A amizade dos dois foi virando assunto. E aconteceu algo curioso: outras criancas, envergonhadas, comecaram a se aproximar tambem.

Em poucas semanas, a mesa do canto, antes solitaria, era a mais cheia do refeitorio. Mateus, que vivia de cabeca baixa, voltou a sorrir. A professora, que observava tudo, chamou Aninha e perguntou por que ela tinha feito aquilo. A menina deu de ombros: — Ninguem merece comer sozinho.

Anos depois, ja adultos, Mateus fez questao de reencontrar Aninha. Tornara-se professor — daqueles que sentam ao lado do aluno isolado. — Voce nao lembra — disse a ela —, mas naquele dia voce nao salvou so o meu recreio. Voce salvou o jeito que eu vejo as pessoas. Coragem nao e enfrentar monstro. As vezes e so atravessar um refeitorio.

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