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A Festa Surpresa para o Porteiro que Achava que Ninguem Lembrava

Por trinta anos ele abriu a porta de todos. No aniversario de setenta, descobriu quantas vidas tinha tocado.

Por Relatos Humanos
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A Festa Surpresa para o Porteiro que Achava que Ninguem Lembrava

Seu Anselmo era porteiro do mesmo predio havia trinta anos. Foi ele quem viu as criancas do predio nascerem, crescerem, casarem. Guardou encomendas, segurou choros, deu bom dia a todos, todos os dias, com o mesmo sorriso. Conhecia o nome de cada morador, de cada cachorro, de cada visita frequente.

Era um homem simples, vivia sozinho num quartinho perto da portaria, e nunca reclamava de nada. Mas, perto de completar setenta anos e da aposentadoria, andava cabisbaixo. Confidenciou a um morador mais proximo: — Sabe, passei a vida cuidando da porta dos outros. Acho que, quando eu for embora, ninguem vai nem lembrar que eu existi.

Aquela frase nao saiu da cabeca do morador. Ele a compartilhou, discretamente, no grupo do predio. E o que aconteceu nas semanas seguintes foi de arrepiar.

Os moradores se organizaram em segredo. Antigos moradores, que ja tinham se mudado havia anos, foram contatados e convidados. As criancas que Seu Anselmo viu nascer — hoje adultas, algumas com filhos proprios — fizeram questao de voltar. Juntaram fotos, escreveram cartas, prepararam uma festa.

No dia do aniversario, Seu Anselmo chegou para trabalhar como em qualquer manha. Mas, ao entrar no salao do predio, parou de chocado. Estava lotado. Dezenas de pessoas — moradores antigos e novos, criancas que viraram adultos, familias inteiras — gritaram seu nome. Havia um bolo enorme, um painel coberto de fotos dele ao longo de tres decadas, e um cartaz gigante: "Obrigado por cuidar da gente, Seu Anselmo."

Um por um, foram contando o que ele tinha significado em suas vidas. A moca que ele consolou quando era adolescente. O senhor que ele socorreu numa emergencia. A crianca para quem ele guardava balas. O velho porteiro, que achava que ninguem lembraria dele, chorou como nunca tinha chorado, cercado por uma multidao que provava o contrario.

— Eu achava que so abria portao — disse ele, com a voz embargada, diante de todos. — Mas voces tao me mostrando que, durante esses anos todos, eu fiz parte da vida de muita gente sem nem saber.

Hoje, aposentado, Seu Anselmo guarda o painel de fotos na parede do quarto. E sempre que a solidao bate, ele olha aquelas caras e lembra: ninguem que cuida dos outros com amor passa, de verdade, despercebido.

Publicado por Relatos Humanos em . Relatos Humanos — boas histórias para inspirar.

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