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O Jovem Impaciente e o Velho da Fila do Banco

Reclamando da lentidao de um idoso na fila, um rapaz aprendeu uma licao que o dinheiro nao ensina.

Por Relatos Humanos
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O Jovem Impaciente e o Velho da Fila do Banco

A fila do banco estava longa, e Bruno, um rapaz de terno e pressa, batia o pe de impaciencia. Na sua frente, um senhor de idade avancada se atrapalhava com os papeis, as maos tremulas, sem entender direito as instrucoes do caixa eletronico. A fila travava por causa dele.

Bruno bufou alto, revirou os olhos, e soltou, para que todos ouvissem: — Tem gente que nao devia nem sair de casa. So atrapalha. Vai pra fila do idoso, senhor! Aqui o pessoal tem o que fazer. O velho, encabulado, pediu desculpas, ainda mais nervoso, errando ainda mais.

Uma funcionaria do banco, vendo a cena, aproximou-se com calma para ajudar o senhor. E, enquanto ajudava, contou baixinho a Bruno, que continuava resmungando: — Esse senhor vem aqui todo mes sacar a aposentadoria. Sabe pra que? Ele cria os tres netos sozinho, porque a filha dele faleceu. Esse dinheiro que ele ta tentando sacar e pra comprar o material escolar das criancas. E a primeira vez que ele usa a maquina, porque a vista dele ta fraca e ele tem medo de errar.

Bruno emudeceu. O rosto, antes irritado, ficou vermelho de vergonha. Olhou para aquele velho tremulo de outro jeito agora — nao mais um obstaculo, mas um homem que, na idade do descanso, ainda carregava o peso de criar tres criancas.

Sem dizer nada, Bruno saiu da fila, aproximou-se e disse, num tom completamente diferente: — Deixa eu te ajudar, senhor. Sem pressa. A gente faz junto. Ajudou o velho a concluir o saque com paciencia, explicando cada passo. O senhor agradeceu, sem rancor pela grosseria anterior, e foi embora abençoando o rapaz.

Bruno saiu do banco calado, pensativo. Tinha entrado ali com pressa de quem acha que o tempo dos outros vale menos que o seu. Saiu entendendo que cada pessoa lenta na sua frente carrega uma historia que voce desconhece.

Daquele dia em diante, sempre que a impaciencia batia numa fila, ele se lembrava do velho e dos tres netos. E respirava fundo. Porque aprendeu que paciencia com o outro e, no fundo, so um pouco de humildade para lembrar que ninguem sabe o peso que o vizinho carrega.

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