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Os Irmaos que o Destino Separou na Mesma Cidade

Dados para adocao em familias diferentes, dois irmaos cresceram a poucas ruas um do outro sem saber.

Por Relatos Humanos
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Os Irmaos que o Destino Separou na Mesma Cidade

Quando os pais morreram num acidente, Lia tinha cinco anos e o irmao, Davi, apenas dois. Sem parentes que pudessem ficar com os dois, foram adotados por familias diferentes. As crinacas eram pequenas demais para guardar lembrancas. Cresceram sem saber que tinham um ao outro no mundo.

O destino, porem, tem ironias. As duas familias moravam na mesma cidade, a poucas ruas de distancia. Lia e Davi estudaram em escolas vizinhas, frequentaram a mesma praca, talvez tenham dividido a fila do mesmo sorvete sem nunca imaginar o sangue que os unia.

Lia cresceu sentindo uma falta que nao sabia nomear. Tinha pais amorosos, uma boa vida, mas um vazio teimoso. Aos vinte e cinco anos, decidiu procurar suas origens. Foi aos arquivos, juntou documentos, e descobriu a palavra que mudaria tudo: irmao. Ela tinha um irmao.

A busca a levou a um nome e, depois de semanas, a um endereco. Quando bateu na porta, um rapaz atendeu. Os dois se olharam e algo estranho aconteceu: ambos sentiram que ja se conheciam, sem saber de onde. — Voce e o Davi? — Sou. E voce... a senhora e quem? Lia mal conseguiu falar: — Eu sou sua irma.

Descobriram que tinham crescido a oito ruas um do outro. Que torciam pelo mesmo time. Que odiavam o mesmo tempero. Que sorriam torto do mesmo jeito. Vinte e tres anos perdidos, tao perto.

Choraram, riram, compararam fotos de infancia e acharam o mesmo olhar dos pais que nao conheceram direito. As duas familias adotivas, longe de competir, se uniram. Agora Lia e Davi tem o dobro de pais e um ao outro.

— A gente passou a vida inteira sentindo falta de uma pessoa sem rosto — diz Lia. — Hoje eu sei o nome dela. E ele mora a oito ruas de mim.

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