amor

O Primeiro Amor que Voltou Cinquenta Anos Depois

Separados pela vida aos dezessete, eles se reencontram viuvos, e descobrem que certos amores apenas esperam.

Por Relatos Humanos
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O Primeiro Amor que Voltou Cinquenta Anos Depois

Helena e Tomas se amaram aos dezessete anos, naquele amor de cinema antigo: bilhetes escondidos, dancas no coreto, promessas debaixo da mangueira. Mas a familia de Helena mudou de cidade, e naquele tempo, sem telefone nem cartas que chegassem, a distancia venceu. Cada um seguiu a propria vida.

Helena casou, teve filhos, foi feliz a seu modo. Tomas tambem. Os anos passaram como passam: rapidos quando olhamos para tras. Ambos enviuvaram, ja perto dos setenta, e a vida pareceu, de novo, ficar silenciosa.

Foi numa festa de cidade pequena, dessas com quermesse e musica ao vivo, que o acaso os reuniu. Tomas reconheceu primeiro: aquele jeito de inclinar a cabeca ao rir. — Helena? Ela se virou. Cinquenta anos cairam no chao num segundo. — Tomas... meu Deus, Tomas.

Sentaram-se num banco e conversaram como se nenhum tempo tivesse passado. Falaram dos filhos, dos que se foram, das saudades. E, sem combinar, os dois confessaram que, em algum canto guardado do peito, nunca tinham esquecido o coreto e a mangueira.

Comecaram a se ver todos os dias. Caminhavam de maos dadas pela praca, alvo dos sorrisos dos mais novos, que achavam bonito ver dois velhos namorando. Tomas voltou a escrever bilhetes. Helena voltou a guarda-los na bolsa.

Um ano depois, casaram-se numa cerimonia simples, cercados por filhos e netos das duas familias. Na hora da danca, escolheram a mesma musica do coreto, cinquenta anos antes. Dancaram devagar, testa com testa.

— A gente perdeu meio seculo — disse Helena. Tomas sorriu: — Nao perdemos. A gente so guardou. E vale a pena esperar quando o amor e de verdade.

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